domingo, 11 de janeiro de 2009

Ciços



Novamente, estou eu aqui tirando atraso de alguns temas que marcaram meu final de ano, mas que foram atropelados por WikiCrimes. Em dezembro fui eleito o ciço de 2007 e minha gestão será durante 2008. Este assunto não será fácil de ser acompanhado por quem não é, ou nunca foi ciço. Ciço? What the porra is that? (como diz meu amigo Walfredo). Uma difícil definição, mas que vou me arriscar a fazê-la. Aliás, tentarei ir além. Tentarei refletir sobre onde anda a seriedade de ser ciço. Que mensagem esta denominação carrega? Desculpem-me os leitores e principalmente meus amigos ciços se tento transformar esse tema eminentemente bufo em algo um pouco sério. Mas afinal de contas, eu não seria também um ciço se não fosse essa minha eterna necessidade de refletir e falar sério. Receber o “título” de ciço e a própria existência da cultura ciçal comportam um componente de educação social que, tenho certeza, não escapa a percepção da maioria dos que vivem esta brincadeira. É este o motivo que me faz ligar a idéia de ciço ao controle social tão presente na cultura cidadã. Lembrando que um dos pilares da cultura cidadã é criar um ambiente de controle social onde as pessoas se sintam incomodadas de realizarem ações ou terem postura desagradável à maioria da sociedade. Trata-se de uma forma de dar o seguinte recado: “não achamos sua postura legal”. Não deixa de ser uma repreensão. Isso ocorre em toda sociedade embora a forma como isso é exteriorizado varie. O cearense, com seu eterno viés humorístico, tinha que encontrar uma forma gozada de dar esse recado. O jeito ciço de viver(ciço way of life) é um exemplo vivo dessa forma de expressão cultural. Trata-se de uma forma jocosa de dizer (não exclusivamente) que fostes chato, ou inconveniente, ou teimoso, ou reclamastes demais no futebol, ou se irritastes demais, ou brigastes demais ou, simplesmente, fostes muito diferente. Poderíamos pensar que tal recriminação não é politicamente correta e mesmo alienante. Seria uma ditadura da maioria? Todo mundo encara a brincadeira da mesma forma? A resposta para essas indagações não é muito simples. Há que se admitir que a assimilação do conceito de ciço por um grupo não é natural e fácil. É necessário um processo de amadurecimento e de aprendizagem característicos em todo processo de assimilação cultural. Lembro-me que no grupo dos ciços que participo (os ciços do Bola na Rede), questionei muito sobre o que ser ciço queria dizer e o que a brincadeira aportava. Valeria a pena insistir? Seríamos capazes de lapidar a idéia, de assimilá-la nas diferentes concepções e sentimentos que cada um desejava dar e, ao final, conseguiríamos criar um vetor de energia positiva. Não sei se toda comunidade consegue fazer isso, mas posso testemunhar que convivo em uma que o fez. A acomodação do conceito foi acontecendo e a forma humorística e leve da denominação de ciço foi ganhando diferentes matizes não deixando espaço para discriminação, nem para constrangimentos. Ficou fácil de perceber que só cabe uma reação : relaxar e gozar! Acima, publico a foto de alguns desses ciços ao tentarem parecer jogadores de futebol.

Nenhum comentário:

Postar um comentário